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Treinando pilotos de gerações distintas no mesmo cockpit!

  • Foto do escritor: Comandante Bassani
    Comandante Bassani
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Por Comandante Bassani - ATPL/B-727/DC-10/B-767 - Ex-Inspetor de Acidentes Aéreos SIA PT - www.personalflyer.com.br/ - captbassani@gmail.com - Jan/2026


Imagem IA



Mentes diferentes, mesmoo padrão


Hoje, muitos cockpits reúnem pilotos que começaram a carreira em sistemas analógicos “puro” com colegas da Geração Z, que já nasceram no mundo dos apps, dashboards e feedback instantâneo. A boa notícia é que a pesquisa acadêmica em universidades como Embry‑Riddle, Auburn e outras escolas de aviação mostra que as diferenças geracionais aparecem muito mais nas preferências de aprendizagem do que na capacidade profissional em si.​


Nos programas de type rating e qualificação em linha, o padrão de competência continua o mesmo: conhecimento de sistemas, gestão de automação, CRM, decisão e execução de procedimentos anormais. O que muda é a forma de entregar o treinamento: pilotos mais jovens tendem a responder melhor a ambientes interativos, simulação intensiva, gamificação, uso de dados em tempo real e e‑learning modular, enquanto muitos pilotos experientes valorizam progressão estruturada, debrief detalhado e conexão com modelos mentais construídos em milhares de horas de voo.​


Pesquisas sobre estilos de aprendizagem em pilotos mostram que gerações mais novas têm maior preferência por abordagens “sensing/visual” e por recursos digitais integrados, o que se encaixa com o uso de simuladores de alta fidelidade, realidade virtual e treinamentos baseados em evidências (EBT). Ao mesmo tempo, a experiência dos mais antigos é crítica para transformar dados em contexto: reconhecer padrões, antecipar armadilhas operacionais e conectar um novo sistema a incidentes antigos, algo amplamente reforçado na literatura de fatores humanos e CRM.​


No CRM, o encontro de gerações é ao mesmo tempo desafio e oportunidade. Estudos sobre cultura, comunicação e equipes multiculturais indicam que estilos mais diretos de comunicação de pilotos jovens podem ser percebidos como “informais” por comandantes que cresceram em estruturas mais hierárquicas, enquanto a comunicação mais cautelosa de pilotos experientes pode parecer “lenta demais” para quem está habituado a interação digital em tempo real.

A orientação de documentos como o AC 120‑51 (FAA) e o Manual de EBT (ICAO Doc 9995, via SKYbrary) é clara: usar treinamento conjunto, debrief estruturado e foco em competências (comunicação, liderança, gestão de carga de trabalho) para transformar essa diversidade em redundância cognitiva, não em ruído.​


Para quem está na cabine, a mensagem é simples e pragmática: cockpits multigeracionais não são um “problema de treinamento”, mas um ativo operacional. Programas apoiados em evidências e em pesquisa acadêmica mostram que combinar a rapidez digital da nova geração com a memória operacional de quem já “viu o filme antes” produz equipes mais resilientes, com melhor detecção de ameaças e decisões mais equilibradas em cenário de alta automação.


O desafio para cada piloto é duplo: estar disposto a adaptar a forma de aprender e de se comunicar, e, ao mesmo tempo, manter o foco no que é comum a todas as gerações – disciplina técnica, profissionalismo e compromisso com a segurança.​


Bons voos!


Comandante Luiz Bassani



Fontes

  • Estudos sobre geração Z e treinamento de pilotos em universidades e centros de pesquisa aeronáutica (por ex., Embry‑Riddle Aeronautical University, Auburn University, universidades europeias).​

  • Pesquisas sobre CRM, cultura e comunicação em equipes de cockpit, publicadas em periódicos acadêmicos de aviação.​

  • ICAO Doc 9995 – Manual of Evidence‑Based Training (via SKYbrary) e materiais oficiais de competências de pilotos.​

  • FAA Advisory Circular AC 120‑51 – Crew Resource Management Training.​

  • Artigo “As Cockpits Span Generations, Training Bridges the Gap” (BAA Training), utilizado apenas como inspiração temática e não reproduzido literalmente.​



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