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Segurança de voo além do erro do piloto: o que o sistema precisa entregar para proteger quem está na cabine

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    Comandante Bassani
  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Por Comandante Bassani - ATPL/B-727/DC-10/B-767 - Ex-Inspetor de Acidentes Aéreos SIA PT - www.personalflyer.com.br/ - captbassani@gmail.com - Jan/2026


Excelente e seguro ano de 2026 para todos!





 

Cultura de segurança além do manual


Na operação de aeronaves, segurança não é apenas cumprir checklist e seguir SOP: é compreender como pessoas, máquinas e contexto operacional interagem em tempo real. A investigação moderna de acidentes mostra que, raramente, há um único “culpado”; normalmente há uma cadeia de defesas falhadas, decisões sob pressão, interfaces homem–máquina mal desenhadas e riscos organizacionais que se acumulam até o evento final.


Do foco no piloto ao foco no sistema


Durante muitos anos, relatórios de acidentes concentravam-se quase exclusivamente em “erro do piloto”. Hoje se sabe que isso é apenas a ponta do iceberg. Por trás de uma atitude aparentemente inadequada em cockpit podem existir: treinamento deficiente, doutrina ambígua, pressões operacionais, escalas incompatíveis com fadiga, procedimentos pouco realistas e cultura organizacional que desestimula o reporte de riscos. Em vez de olhar só para a última decisão antes do impacto, a abordagem atual busca entender como o sistema construiu o cenário em que aquela decisão ocorreu.


Ambiente operacional e armadilhas invisíveis


Operar aeronaves em cenários de baixa visibilidade, aproximações não vetoradas, pistas curtas ou com contorno de relevo desafiador cria um conjunto de armadilhas invisíveis. A consciência situacional pode ser degradada por carga de trabalho elevada, comunicações densas, automação mal gerida ou por layouts de cockpit que induzem ao erro. Nesses contextos, pequenos desvios de parâmetros (altitude, razão de descida, trajetória lateral) podem acumular rapidamente, e apenas uma cultura robusta de monitoramento cruzado, padronização e uso disciplinado de “gates” de estabilização consegue conter o risco.


Lições para operação de aeronaves


Para a aviação que opera com aeronaves de asa fixa, algumas lições são recorrentes:

  • Tratar ameaças operacionais (meteorologia, NOTAMs críticos, restrições de espaço aéreo, estado da pista) como parte central do briefing, não como anexos.

  • Ver a automação como ferramenta, não como solução mágica: conhecer profundamente os modos, limites e falhas prováveis de cada sistema.

  • Reforçar a prática de “challenge and response” real em cabine, com monitor ativo, callouts consistentes e open mind genuína para ser contrariado por outro membro da tripulação.

  • Ligar ações de cabine à realidade da manutenção e da engenharia: discrepâncias recorrentes, panes intermitentes e “jeitinhos” operacionais são sinais de alerta para o sistema, não apenas inconvenientes do dia a dia.


Ao transpor para aeronaves as lições tradicionalmente discutidas em operações de asas rotativas, fica evidente que o ponto central é o mesmo: segurança de voo é um produto da forma como a organização pensa, treina e lidera — não apenas da habilidade técnica individual. O cockpit é o último elo de uma cadeia que começa no projeto, passa por manutenção, planejamento, regulação e cultura. Quanto mais cedo esses elos forem reforçados, menor a chance de que um erro isolado se transforme em acidente. Para quem voa, a grande oportunidade é usar esse conhecimento para transformar cada decolagem em um exercício consciente de gestão de risco, e cada relatório de ocorrência em combustível para melhorar o sistema como um todo.


Bons voos!


Comandante Luiz bassani



Fontes :

  • The systemic investigation approach used by official accident investigation bodies (e.g., national safety boards) that look beyond “pilot error” and focus on organizational factors and broken safety defenses.

  • International guidance on human factors, Threat and Error Management (TEM), Just Culture, and Safety Management Systems (SMS).

  • Established CRM and airline operations best practices, as taught in accident prevention courses and flight safety training programs worldwide.



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Brevemente estarão disponíveis para compra online, em português e inglês, os três primeiros volumes desta série de 18 livros, que já nasce como referência para profissionais e apaixonados pela aviação:

Volume 1 – Introdução à Aviação e ao Papel do Piloto

Volume 2 – Fatores Humanos e Fisiológicos na Segurança de Voo

Volume 3 – A Importância do Conhecimento Aeronáutico


Mais do que livros, estes guias representam uma verdadeira transformação na formação e no desenvolvimento de profissionais da aviação, desde cadetes até pilotos experientes, instrutores, gestores de segurança e entusiastas dedicados.

Eles oferecem um caminho estruturado para o domínio da arte e da ciência do voo, integrando fundamentos técnicos, fatores humanos, melhores práticas reconhecidas internacionalmente e uma perspectiva voltada para o futuro.

Uma coleção indispensável para aqueles comprometidos com a excelência e a segurança na aviação.

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