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ATTOL e a nova era da autonomia - Será que o piloto vai mesmo desaparecer da cabine?​

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    Comandante Bassani
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Por Comandante Bassani - ATPL/B-727/DC-10/B-767 - Ex-Inspetor de Acidentes Aéreos SIA PT - www.personalflyer.com.br/ - captbassani@gmail.com - Jan/2026



Imagem Pertplexity



Projeto ATTOL da Airbus: de demonstração de autonomia à integração com o futuro da operação aérea


O ATTOL (Autonomous Taxi, Take-Off and Landing) foi lançado em 2018 como um demonstrador tecnológico para responder a uma pergunta direta: até onde a autonomia, baseada em visão e aprendizado de máquina, pode apoiar a tripulação em solo e em voo? Entre 2018 e 2020, a Airbus conduziu mais de 500 voos de teste, usando um A350 de ensaio, dos quais cerca de 450 dedicados à coleta de dados de vídeo para treinar algoritmos, e seis campanhas específicas para validar taxi, decolagem e pouso totalmente automáticos. Em junho de 2020, o projeto foi oficialmente concluído, com a conclusão bem-sucedida de decolagens, pousos e taxi autônomos baseados em reconhecimento de imagem — um “world first” em aviação comercial.​


Com o fim da fase demonstradora, o ATTOL deixou de ser um fim em si mesmo e passou a funcionar como “banco de provas” para a próxima geração de funções de automação e assistência ao piloto. A Airbus deixou claro que o objetivo não é retirar o piloto da cabine, mas permitir que tecnologias de visão, fusão de sensores e algoritmos avancem o suficiente para que a tripulação possa dedicar mais capacidade cognitiva à gestão estratégica do voo, decisão tática e antecipação de ameaças, em vez de concentrar-se apenas na pilotagem manual e na gestão de modos.​


No período pós‑ATTOL, a Airbus canalizou a experiência acumulada para novos demonstradores, como projetos conduzidos pela UpNext (por exemplo, otimização para taxiamento autônomo usando sensores avançados em um A350 de teste), e para a discussão de novos conceitos operacionais e de “flight rules” para automação elevada. Ao mesmo tempo, o avanço da autonomia precisa acompanhar o desenvolvimento regulatório: a EASA vem publicando propostas pioneiras para operações de alta automação e VTOL, e a ICAO discute metodologias de maturidade de automação e integração segura de funções autônomas no sistema de tráfego aéreo, enquanto FAA e outras autoridades analisam impactos em certificação, licenças e regras de operação.​


No fim de 2025 e início de 2026, o “estado” do ATTOL não é mais o de um projeto ativo isolado, mas o de uma base tecnológica que alimenta:

  • o desenvolvimento de sistemas de visão e detecção de pista para taxi, decolagem e aproximação em baixa visibilidade;

  • funções de assistência ao piloto e “virtual copilot” integradas a FMS e sistemas de voo;

  • conceitos de operação autônoma gradual que dialogam com iniciativas globais sobre automação segura e futura autonomia em transporte aéreo.​


Para pilotos e operadores, a mensagem é clara: os testes encerrados em 2020 foram apenas o primeiro capítulo. A década que se segue é a da integração e certificação — onde a conversa sai da “prova de conceito” e entra em procedimentos, envelopes de utilização, requisitos de treinamento e novas funções de cockpit, amparadas por reguladores como EASA, FAA e coordenadas por estruturas normativas da ICAO.​


Bons voos!


Comandante Luiz Bassani



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Fontes

  • Airbus – Press releases and technical notes on ATTOL and the conclusion of the flight‑test campaign in 2020.​​

  • Aviation and technical media summarizing ATTOL objectives, flight‑test numbers and world‑first achievements.​

  • Airbus UpNext / Optimate – Information on follow‑on projects using ATTOL experience to explore autonomous taxi and advanced sensing.​

  • EASA – Initial regulatory frameworks and opinions on advanced automation and VTOL/air‑taxi operations.​

  • ICAO – Papers on future air traffic system (CATS) and automation/autonomy maturity methodologies.​

  • Broader industry CONOPS for automated and autonomous flight rules, used here for context.​

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